sábado, 25 de janeiro de 2014

Estudo Filosófico da Doutrina Espírita - A Metafísica Espírita

Livro Primeiro, Capítulo I - Deus.


Ao iniciar O Livro dos Espíritos, Allan Kardec o faz partindo do conhecido para, só então, penetrar no desconhecido. Em O Livro dos Médiuns, Kardec (2004, p. 21) explica que “todo ensino metódico tem que partir do conhecido para o desconhecido” 1. Em sua pedagogia, principalmente em O Livro dos Espíritos, Kardec apoia-se totalmente no método socrático de pergunta e resposta, que visa levar o leitor ao seu próprio parto (Maiêutica) racional. É a própria forma do diálogo, livre de espírito de sistema, que aponta para a dialética socrático-platônica, e que foi amadurecida por Hegel com sua tríade: tese-antítese-síntese. Seguindo essa forma filosófica de Sócrates, Kardec parte de Deus, que é o conhecido de quase todos para chegar ao Espírito, o desconhecido, fonte de incontáveis celeumas entre os seres humanos. Parte de uma tese de Deus, apresenta uma antítese para chegar a uma síntese, na melhor forma Hegeliana. Assim sendo, a definição da primeira pergunta dirigida aos espíritos, guarda em si própria uma aproximação, uma intimidade com o objeto da pergunta, Deus, através do uso do artigo definido O: O que é Deus?2 Várias traduções tem desprezado este simples uso do artigo, o que resulta na ideia de um distanciamento de Kardec do objeto da questão, e que poderia levar à conclusão que o Codificador não prezava de uma relação íntima com Deus. Esclarecido este pequeno ponto crucial, passamos à resposta dada pelos espíritos: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” 3.
1 KARDEC, ALLAN. O Livro dos Médiuns. São Paulo: Lake, 2004. p. 21
2 KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. São Paulo: Lake, 2004. p. 41

3 Idem.

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