Livro Primeiro, Capítulo I - Deus.
Ao iniciar O
Livro
dos Espíritos,
Allan Kardec o faz partindo do conhecido para, só então, penetrar
no desconhecido. Em O
Livro dos Médiuns,
Kardec (2004, p. 21) explica que “todo ensino metódico tem que
partir do conhecido para o desconhecido” 1.
Em sua pedagogia, principalmente em O
Livro dos Espíritos,
Kardec apoia-se totalmente no método socrático de pergunta e
resposta, que visa levar o leitor ao seu próprio parto (Maiêutica)
racional. É a própria forma do diálogo, livre de espírito de
sistema, que aponta para a dialética socrático-platônica, e que
foi amadurecida por Hegel com sua tríade: tese-antítese-síntese.
Seguindo essa forma filosófica de Sócrates, Kardec parte de Deus,
que é o conhecido de quase todos para chegar ao Espírito, o
desconhecido, fonte de incontáveis celeumas entre os seres humanos.
Parte de uma tese de Deus, apresenta uma antítese para chegar a uma
síntese, na melhor forma Hegeliana. Assim sendo, a definição da
primeira pergunta dirigida aos espíritos, guarda em si própria uma
aproximação, uma intimidade com o objeto da pergunta, Deus, através
do uso do artigo definido O: O
que é Deus?2
Várias traduções tem desprezado este simples uso do artigo, o que
resulta na ideia de um distanciamento de Kardec do objeto da questão,
e que poderia levar à conclusão que o Codificador não prezava de
uma relação íntima com Deus. Esclarecido este pequeno ponto
crucial, passamos à resposta dada pelos espíritos: “Deus é a
inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” 3.
1
KARDEC, ALLAN. O Livro dos Médiuns. São Paulo: Lake, 2004.
p. 21
2
KARDEC, ALLAN. O Livro dos Espíritos. São Paulo: Lake,
2004. p. 41
3
Idem.
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